Pecus. Em latim, o gado. A mesma raiz que deu origem a pecunia, o dinheiro. Não é uma coincidência linguística: é uma confissão. O animal como capital. O ser vivo como unidade de valor. Isto não começou com a indústria intensiva, a indústria apenas tornou o processo mais eficiente, mais limpo, mais fácil de ignorar.
Este projeto entra onde a maioria prefere não olhar. Animais espalhados por pavilhões construídos para não ser vistos, dentro de um sistema que depende precisamente disso, da distância, do silêncio, da nossa capacidade coletiva de não perguntar o que acontece do outro lado.
Não é preciso procurar muito. O que os corpos carregam está lá: nos olhos que ainda olham, nos que já desistiram, nos que nasceram com preço mas sem valor.
Até que ponto somos responsáveis pelo que escolhemos não ver?
Pecus. In Latin, cattle. The very same root that gave rise to pecunia—money. This is not a linguistic coincidence; it is a confession. The animal as capital. The living being as a unit of value. This did not begin with intensive farming; the industry merely made the process more efficient, cleaner, easier to ignore.
This project enters where most prefer not to look. Animals confined within pavilions built to remain unseen, inside a system that depends precisely on that—on distance, on silence, on our collective capacity to never ask what happens on the other side.
One does not need to look far. What these bodies carry is right there: in the eyes that still look back, in those that have already given up, and in those born with a price but without value.
To what extent are we responsible for what we choose not to see?
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